Blog

/

Finanças

Como sair das dívidas: plano em 5 passos para quitar tudo

Veja como sair das dívidas mesmo ganhando pouco: qual pagar primeiro, quando trocar dívida cara por barata e um exemplo de quanto tempo leva para quitar tudo.

Mulher de cabelo grisalho e cardigã laranja tomando café na varanda de um apartamento, com vista para a cidade

Resumo

  • Para sair das dívidas, liste todas com saldo e juros, pare de aumentar a mais cara e defina um valor fixo por mês.
  • Pague primeiro contas essenciais e dívidas com garantia; depois, a de maior juro, como o rotativo do cartão.
  • O método avalanche economiza mais juros; a bola de neve quita a primeira dívida mais cedo.
  • Trocar rotativo e cheque especial por consignado ou portabilidade reduz os juros, desde que o crédito antigo pare.
  • Se a renda não cobre o básico, a lei do superendividamento permite repactuar tudo preservando R$ 600 por mês.

Para sair das dívidas, você lista todas elas com saldo e juros, para de aumentar a mais cara, define um valor fixo que cabe no mês e paga primeiro a de maior juro. Quando possível, troca dívida cara por uma mais barata.

Em setembro de 2026, 81,7% das famílias brasileiras tinham dívidas a vencer e 29,6% estavam com alguma conta em atraso, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da CNC. O tempo médio de atraso chegou a 65,3 dias, o maior desde novembro de 2024.

Como sair das dívidas passo a passo?

O plano tem cinco etapas. Pular a primeira é o erro mais comum: sem saber quanto deve e a que juro, qualquer escolha de ordem vira chute.

1. Liste todas as dívidas

Anote credor, saldo, juro ao mês, parcela mínima e vencimento de cada uma. O juro aparece na fatura, no contrato ou no app do banco. Para não esquecer empréstimos antigos, o Registrato do Banco Central mostra de graça todas as dívidas com bancos e financeiras.

2. Pare de aumentar a dívida mais cara

Se a fatura do cartão está entrando no rotativo ou a conta vive no cheque especial, o primeiro objetivo é parar esse crescimento, mesmo antes de quitar qualquer coisa.

3. Defina quanto sobra por mês

Some a renda, tire os gastos essenciais (moradia, comida, transporte, contas da casa) e veja o que sobra. Esse é o valor que vai para as dívidas todo mês. Se não sabe para onde o dinheiro está indo, comece descobrindo onde você está gastando.

4. Escolha a ordem de pagamento

Pague o mínimo de todas e coloque o restante em uma dívida por vez. A ordem mais barata é a do maior juro para o menor, explicada nas próximas seções.

5. Negocie e troque o que der

Peça desconto para quitar à vista ou parcelar com juro menor, e compare com a portabilidade para outro banco. Cada ponto de juro a menos encurta o prazo do plano.

Qual dívida pagar primeiro?

Antes de olhar os juros, garanta duas coisas: as contas que cortam serviço essencial (luz, água, gás) e as dívidas com um bem como garantia, como o financiamento do carro ou da casa. Atrasar essas pode custar o serviço ou o próprio bem.

Depois disso, a regra é simples: pague primeiro a dívida com maior juro. A diferença entre as modalidades é grande, como mostram as medianas das taxas que os bancos informam ao Banco Central, compiladas pelo Creditoscópio para a primeira semana de setembro de 2026:

Juros ao mês por tipo de dívida em setembro de 2026: rotativo 15,86%, cheque especial 8,05%, consignado INSS 1,79%

Uma dívida de R$ 1.500 no rotativo, a 15,86% ao mês, gera R$ 237,90 de juros em um único mês. Desde janeiro de 2024, juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura não podem passar de 100% do valor original da dívida, segundo o Banco Central: uma dívida de R$ 100 chega no máximo a R$ 200. Ainda assim, dobrar é caro, e esse teto não vale para cheque especial nem crédito pessoal.

Avalanche ou bola de neve: qual método escolher?

Os dois métodos começam igual: pagar o mínimo de todas as dívidas. A diferença está em onde colocar o dinheiro que sobra.

  • Avalanche: o extra vai para a dívida de maior juro. É o caminho que paga menos juros no total.
  • Bola de neve: o extra vai para a dívida de menor saldo. Custa um pouco mais, mas a primeira dívida some antes, o que ajuda quem precisa ver resultado para continuar.

Veja um exemplo com R$ 5.600 em três dívidas e R$ 600 por mês para pagar, com juros calculados sobre o saldo de cada mês:

DívidaSaldoJuro ao mêsParcela mínima
Cartão parceladoR$ 2.0008,60%R$ 150
Crédito pessoalR$ 3.0005,90%R$ 200
Carnê de lojaR$ 6003,00%R$ 100
Comparação entre avalanche e bola de neve: 15 meses e R$ 3.257,72 de juros contra 16 meses e R$ 3.415,80

Pela avalanche, tudo é quitado em 15 meses, com R$ 3.257,72 de juros. Pela bola de neve, são 16 meses e R$ 3.415,80, ou seja, R$ 158,08 a mais. Em compensação, a bola de neve elimina o carnê já no terceiro mês, contra o sétimo na avalanche.

Os dois planos dependem de os mesmos R$ 600 continuarem sobrando todo mês. No Pierre, o assistente Megamen avisa quando você passa do limite de gastos que definiu. Com o limite um pouco abaixo do que a renda permite, o aviso chega enquanto ainda dá para segurar o resto do mês.

Como sair das dívidas ganhando pouco ou sem dinheiro?

Com renda apertada, o plano é o mesmo, só que com um valor menor e mais negociação. Três caminhos ajudam:

  • Negocie pela sobra, não pelo total: diga ao credor quanto você consegue pagar por mês. Acordo que não cabe vira atraso de novo.
  • Use canais gratuitos: o consumidor.gov.br e o Procon da sua cidade intermediam a conversa com bancos e lojas sem custo.
  • Peça a repactuação por superendividamento: quando pagar tudo compromete o básico, o Código de Defesa do Consumidor permite renegociar todas as dívidas de consumo de uma vez, em até 5 anos, preservando o mínimo existencial de R$ 600 por mês.

Se a sobra do mês for zero, o primeiro passo é abrir espaço: revisar assinaturas, renegociar planos de celular e internet e adiar compras parceladas novas. Mesmo R$ 50 por mês já permitem começar pela dívida de maior juro.

Se o problema também é o nome negativado, o passo a passo de como limpar o nome mostra onde consultar e quanto tempo o registro leva para sair depois do pagamento.

Vale pegar empréstimo para sair das dívidas?

Vale quando o empréstimo novo tem juro bem menor que o da dívida que ele quita e o crédito antigo para de ser usado. Veja o custo de um mês de juros para R$ 2.300 (R$ 1.500 no rotativo e R$ 800 no cheque especial), usando as medianas de setembro de 2026:

Onde está a dívidaJuros em um mês
Rotativo (R$ 1.500) + cheque especial (R$ 800)R$ 302,30
Consignado privado (R$ 2.300 a 3,32%)R$ 76,36
Consignado INSS (R$ 2.300 a 1,79%)R$ 41,17

A troca pelo consignado privado reduz os juros do primeiro mês em R$ 225,94. Ela só funciona se o cartão e o cheque especial não voltarem a ser usados; senão, você passa a ter duas dívidas no lugar de uma.

Outra opção é a portabilidade de crédito: você leva um empréstimo que já tem para outro banco com juro menor. O banco novo quita o antigo, e os custos da transferência não podem ser repassados a você. Antes de aceitar qualquer proposta, compare o Custo Efetivo Total (CET), que inclui juros, tarifas e seguros.

Juro menor que o da dívida atual
Compare pelo CET, não só pela taxa
Parcela cabe na sobra do mês
Com folga para imprevistos
Crédito antigo encerrado ou bloqueado
Evita dívida dobrada
Sem venda casada
Seguro ou título embutido encarece o CET

Como sair das dívidas do cartão de crédito?

Se a fatura não cabe, evite pagar só o mínimo mês após mês: o saldo restante entra no rotativo, a modalidade mais cara do mercado. Parcelar a fatura costuma ter juro menor, e uma renegociação com o banco ou um empréstimo mais barato podem reduzir ainda mais.

Enquanto quita, use o cartão só para o que você já consegue pagar à vista na próxima fatura. Para entender o peso de cada opção, veja como funcionam os juros do cartão de crédito e algumas formas de controlar os gastos do cartão.

Como montar uma planilha para sair das dívidas?

A planilha precisa de poucas colunas, e cada linha é uma dívida. Ordene pela coluna de juros, da maior para a menor, e atualize o saldo uma vez por mês.

ColunaO que anotar
CredorBanco, loja ou empresa
Saldo atualValor para quitar hoje, pedido ao credor
Juro ao mêsTaxa do contrato ou da fatura
Parcela mínimaO que precisa ser pago para não atrasar
VencimentoDia do mês
Pagamento extraQuanto da sobra vai para esta dívida

Uma linha de total no fim mostra quanto falta e, mês a mês, quanto o saldo caiu. Ver esse número diminuir é parte do que mantém o plano de pé.

Quanto tempo leva para sair das dívidas?

O prazo depende de três números: o total devido, os juros e o valor pago por mês. No exemplo acima, R$ 5.600 com R$ 600 por mês levam 15 meses. Com R$ 500 por mês, o prazo sobe para 22 meses e os juros para R$ 4.997,65, porque o saldo fica mais tempo rendendo juros para o credor.

Por isso, qualquer dinheiro extra, como 13º salário, restituição do Imposto de Renda ou a venda de algo parado, encurta o plano quando vai direto para a dívida de maior juro.

Como não voltar a se endividar?

Quando a última dívida acabar, mantenha o valor que ia para ela separado todo mês, agora para uma reserva. Uma reserva pequena já evita que um conserto ou uma consulta voltem para o cartão.

Para dividir a renda entre gastos, desejos e reserva, a regra 50-30-20 é um ponto de partida. E, para achar espaço no orçamento sem cortar o que importa, veja formas de economizar dinheiro no dia a dia.

Perguntas frequentes

Qual dívida devo pagar primeiro?

Primeiro as contas que cortam serviço essencial, como luz e água, e as que têm um bem como garantia. Depois, a de maior juro, que quase sempre é o rotativo do cartão, seguido do cheque especial.

Como sair das dívidas ganhando pouco?

Defina um valor fixo que cabe na sobra do mês, mesmo que pequeno, e negocie cada acordo com base nele. Se nem o básico fica garantido, a lei do superendividamento permite repactuar todas as dívidas preservando o mínimo existencial.

Vale a pena pegar empréstimo para pagar dívidas?

Só quando o novo empréstimo tem juro menor que o da dívida que ele quita e você para de usar o crédito antigo. Compare sempre o Custo Efetivo Total (CET) das duas operações.

O que é o método avalanche?

É pagar o mínimo de todas as dívidas e colocar todo o dinheiro extra na de maior juro. Quando ela acaba, o valor vai para a próxima mais cara.

O que é o método bola de neve?

É pagar o mínimo de todas e colocar o extra na dívida de menor saldo. Custa um pouco mais de juros que a avalanche, mas quita a primeira dívida mais cedo.

Quanto tempo leva para sair das dívidas?

Depende do total, dos juros e do valor que você paga por mês. No exemplo do artigo, R$ 5.600 em três dívidas com R$ 600 por mês levam 15 meses pelo método avalanche.

Posso transferir minha dívida para outro banco?

Sim. A portabilidade de crédito permite levar um empréstimo para outro banco que ofereça juro menor, e os custos da transferência não podem ser cobrados de você.