Custo de vida: como calcular o seu e quanto custa no Brasil
Quanto custa viver em cada capital, para onde vai o dinheiro das famílias e um passo a passo para calcular o seu custo de vida com os gastos reais do mês.

Resumo
- Custo de vida é quanto você gasta por mês para manter o padrão atual, incluindo despesas anuais divididas por 12.
- Moradia, transporte e alimentação somam 72,2% da despesa de consumo das famílias brasileiras, segundo a POF do IBGE.
- Cesta básica mais aluguel de 50 m² vão de R$ 2.328 em Teresina a R$ 4.212 em São Paulo, em setembro de 2026.
- O IPCA acumulou 4,58% em 12 meses até setembro de 2026, acima do teto da meta de inflação.
- Para calcular o seu, some fixos, média de três meses dos variáveis e anuais divididos por 12.
Custo de vida é quanto você precisa por mês para manter o padrão que tem hoje: moradia, comida, transporte, saúde e as contas que chegam uma vez por ano. O jeito confiável de medir o seu é somar três meses de gastos reais, e não estimar de cabeça.
No Brasil, moradia, transporte e alimentação levam 72,2% da despesa de consumo das famílias, segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE. E a inflação oficial acumulou 4,58% nos 12 meses até setembro de 2026.
O que é custo de vida?
Custo de vida é o valor mensal necessário para sustentar um padrão de consumo em um lugar e em um momento. Ele muda com a cidade, com o tamanho da família e com escolhas como morar perto do trabalho ou ter carro. Por isso existem dois jeitos de olhar para ele: o custo médio de uma região, medido por pesquisas, e o seu custo pessoal, medido pelos seus extratos.
Três termos costumam aparecer juntos e medem coisas diferentes:
| Termo | O que mede | Exemplo |
|---|---|---|
| Custo de vida | Quanto custa, em reais, manter um padrão por mês | R$ 6.587 para uma pessoa que mora sozinha em Curitiba |
| Inflação | A velocidade com que os preços sobem | IPCA de 4,58% em 12 meses até setembro de 2026 |
| Salário mínimo necessário | Renda que cobriria as necessidades básicas de uma família de quatro pessoas | R$ 7.750,01 em setembro de 2026, pelo DIEESE |
Para onde vai o dinheiro das famílias brasileiras?
Moradia é o maior peso: 36,6% da despesa de consumo média mensal. Transporte vem em seguida, com 18,1%, e alimentação, com 17,5%. Os três juntos somam 72,2%, segundo a POF 2017-2018, a edição mais recente da pesquisa publicada pelo IBGE.
A divisão muda bastante de uma região para outra, e isso ajuda a entender por que duas pessoas com a mesma renda sentem o mês de forma diferente:
| Região | Habitação | Transporte | Alimentação |
|---|---|---|---|
| Sudeste | 39,0% | 17,5% | 15,8% |
| Sul | 35,7% | 20,6% | 17,1% |
| Centro-Oeste | 33,4% | 21,0% | 16,6% |
| Nordeste | 32,4% | 16,2% | 22,0% |
| Norte | 36,4% | 16,6% | 21,0% |
| Brasil | 36,6% | 18,1% | 17,5% |
No Sudeste, a moradia pesa mais. No Centro-Oeste e no Sul, o transporte passa de 20%, reflexo de distâncias maiores e mais uso de carro. No Norte e no Nordeste, a comida ocupa mais de um quinto do orçamento. Na zona rural, a alimentação chega a 23,8%.
Qual o custo de vida nas capitais brasileiras?
Não existe um índice oficial de custo de vida por cidade, mas duas fontes públicas permitem montar um piso comparável: o preço da cesta básica do DIEESE, que mede a alimentação essencial de um adulto, e o Índice FipeZap, que mede o preço médio anunciado de aluguel por metro quadrado. Somando a cesta a um aluguel de 50 m², São Paulo lidera, com R$ 4.212 por mês, e Teresina fecha a lista, com R$ 2.328.
| Capital | Cesta básica | Aluguel por m² | Aluguel de 50 m² | Piso mensal |
|---|---|---|---|---|
| São Paulo | R$ 922,51 | R$ 65,78 | R$ 3.289 | R$ 4.212 |
| Rio de Janeiro | R$ 913,46 | R$ 61,86 | R$ 3.093 | R$ 4.006 |
| Florianópolis | R$ 915,62 | R$ 61,81 | R$ 3.091 | R$ 4.006 |
| Recife | R$ 663,48 | R$ 64,39 | R$ 3.220 | R$ 3.883 |
| Brasília | R$ 773,78 | R$ 53,84 | R$ 2.692 | R$ 3.466 |
| Maceió | R$ 631,28 | R$ 56,63 | R$ 2.832 | R$ 3.463 |
| Salvador | R$ 634,67 | R$ 55,40 | R$ 2.770 | R$ 3.405 |
| Belo Horizonte | R$ 802,99 | R$ 50,78 | R$ 2.539 | R$ 3.342 |
| Curitiba | R$ 841,93 | R$ 49,44 | R$ 2.472 | R$ 3.314 |
| João Pessoa | R$ 660,21 | R$ 51,86 | R$ 2.593 | R$ 3.253 |
| Porto Alegre | R$ 889,15 | R$ 46,78 | R$ 2.339 | R$ 3.228 |
| Goiânia | R$ 808,01 | R$ 43,86 | R$ 2.193 | R$ 3.001 |
| Fortaleza | R$ 779,96 | R$ 42,22 | R$ 2.111 | R$ 2.891 |
| Campo Grande | R$ 806,56 | R$ 32,95 | R$ 1.648 | R$ 2.454 |
| Aracaju | R$ 587,76 | R$ 36,04 | R$ 1.802 | R$ 2.390 |
| Teresina | R$ 698,55 | R$ 32,59 | R$ 1.630 | R$ 2.328 |
Dados de setembro de 2026. O piso não inclui condomínio, IPTU, contas da casa nem transporte, então o custo real fica acima dele. O FipeZap mede anúncios de novos contratos, e quem já está em um aluguel antigo costuma pagar outro valor.
Dois padrões aparecem na tabela. Em Recife, a cesta está entre as mais baratas, com R$ 663,48, mas o metro quadrado de R$ 64,39 coloca a cidade em quarto lugar, à frente de Brasília e Belo Horizonte. Em Campo Grande e Porto Alegre acontece o contrário: comida mais cara e aluguel mais barato. Comparar cidades só pelo preço do supermercado esconde a maior parte da diferença, que costuma estar na moradia.
Para encher a cesta, quem ganha salário mínimo precisou trabalhar em média 102 horas e 11 minutos em setembro, considerando as 27 capitais pesquisadas pelo DIEESE.
Como a inflação muda o seu custo de vida?
A inflação faz o mesmo padrão custar mais a cada mês. O IPCA de setembro de 2026 foi de 0,82%, e o acumulado em 12 meses chegou a 4,58%, acima do teto de 4,5% da meta de inflação. O grupo habitação subiu 2,31% só em setembro, puxado pela conta de luz.
Na prática, um custo de vida de R$ 6.587 que acompanhe o IPCA de 12 meses passa a R$ 6.889 em um ano, R$ 302 a mais por mês para comprar exatamente as mesmas coisas. Se a renda não acompanha, a diferença sai da sobra do mês.
A inflação também varia por cidade. No acumulado de 12 meses até setembro, o IPCA foi de 6,08% em Goiânia, 5,10% em Fortaleza e 5,02% em Porto Alegre, contra 2,72% em Curitiba. E a sua inflação pessoal depende da sua cesta: quem gasta metade da renda com moradia sente mais uma alta de energia ou de aluguel do que a média do índice.
Como calcular o seu custo de vida?
O cálculo leva cerca de uma hora e precisa só dos extratos e faturas dos últimos três meses. A lógica é separar o que se repete do que oscila, e trazer para o mês o que só aparece uma vez por ano.
- Junte três meses de extratos e faturas. Inclua todas as contas e cartões, porque um mês só pode ter uma compra fora da curva.
- Liste os gastos fixos. Aluguel ou financiamento, condomínio, energia, água, internet, plano de saúde, escola.
- Tire a média dos variáveis. Mercado, restaurantes, transporte, farmácia e lazer mudam todo mês, então some os três meses e divida por três.
- Divida os anuais por 12. IPTU, IPVA, seguro do carro, matrícula, presentes de fim de ano e roupas entram como parcela mensal.
- Some e compare com a renda líquida. O resultado é o seu custo de vida, e a diferença para a renda é o quanto sobra para guardar ou investir.
Veja o cálculo para uma pessoa que mora sozinha em Curitiba, com aluguel no preço médio anunciado pelo FipeZap. Os demais valores são ilustrativos:
Nesse exemplo, moradia (aluguel, condomínio, contas da casa e IPTU) consome cerca de 49% do custo de vida, bem acima dos 36,6% da média nacional da POF. É um padrão comum em capitais para quem mora sozinho, porque o aluguel não se divide.
A etapa que mais trava é a primeira: abrir extrato por extrato e classificar cada compra. O Pierre, um assistente financeiro conectado aos seus bancos via Open Finance, lê as transações, separa por categoria e corrige a classificação conforme aprende com você, sem movimentar dinheiro. Com o histórico organizado, a média dos variáveis aparece pronta.
Quanto da renda o custo de vida costuma ocupar?
Não há um percentual certo, mas a diferença entre custo de vida e renda define quanto sobra. Com renda líquida de R$ 8.000, o custo de R$ 6.587 do exemplo ocupa 82,3% da renda e deixa R$ 1.413 livres. Com R$ 9.000, ocupa 73,2%.
O custo de vida também é a base da reserva de emergência. A referência mais usada é de três a seis meses de custo, o que no exemplo dá entre R$ 19.761 e R$ 39.522. Como essa reserva precisa estar disponível a qualquer momento, ela costuma ficar em aplicações com resgate imediato, como CDB com liquidez diária ou Tesouro Selic.
Por que o custo de vida fica alto?
Na maioria dos orçamentos, a diferença está nas três categorias que somam mais de 70% do gasto, e não nos pequenos itens. Olhar primeiro para elas costuma render mais do que cortar o café.
| Categoria | Onde o custo costuma crescer | O que observar |
|---|---|---|
| Moradia | Aluguel por m² alto, imóvel maior que o necessário, condomínio com muitos serviços | Preço do m² no bairro em relação à média da cidade |
| Transporte | Carro com IPVA, seguro, combustível e estacionamento somados | Custo mensal total do carro em relação a aplicativo e transporte público |
| Alimentação | Peso de restaurantes e delivery sobre o mercado | Quanto da categoria vai para comida fora de casa |
Mudar de bairro ou de cidade mexe no maior item de uma vez, mas tem custos de mudança e efeito no transporte. Por isso, a comparação mais útil é sempre entre o custo total antes e depois, e não entre um item isolado.





